Olhos atentos. A multidão se espreme. Lata. O carnaval vai passar. Mijo. Pais, mães e filhos. Todos esperam o desfile. No domingo abriram os portões do Zoo. A bicharada vai passar. Fora das grades. Fora do armário. A família reunida para assistir. O pai. A mãe. Rezam pra que o filho nunca passe por ali.
É bonito. O orgulho do excluído. É feio. O dedo em riste. O riso. Hienas maquiadas riem de si. A família ri. Espetáculo de bizarras espécies. Safári humano. Beijos como balas perdidas. Caçadores colecionam cabeças. Trinta e cinco. As contas se perdem. Perdem-se os motivos.
Todos viram de perto o que nem de longe era real. Viram veados. Viram bichas. Viram gays. Viram travestis. Sonhos travestidos de conquistas. Luxúria travestida de luta. Desdém travestido de respeito. Desrespeito. Sós, homossexuais. Só homossexuais. Não vieram. Nenhum. Nem riram. Nem viram. O domingo no Zoo.






